Fauna e Flora das Selvagens

 




Fauna


A fauna vertebrada das Ilhas Selvagens é qualificada pelo largo domínio das aves marinhas nidificantes e pela ausência de mamíferos nativos.

Estas ilhas são um santuário de nidificação de aves marinhas, contendo condições peculiares e únicas em todo o Mundo. Da avifauna nidificante conhecem-se nove espécies, entre as quais: a cagarra (Calonectris diomedea borealis), o calcamar (Pelagodroma marina hypoleuca), a alma-negra (Bulweria bulwerii), o roque-de-castro (Oceanodroma castro) e o pintainho (Puffinus assimilis baroli).

Nesta área, a colónia de cagarras afigura-se como a maior densidade em todo o mundo. Porém, a ave mais numerosa destas ilhas é o calcamar.

As aves residentes que podem ser encontradas durante todo o ano nas Ilhas Selvagens são o corre-caminhos (Anthus bertheloti bertheloti), um passariforme cuja subespécie é a mesma que se encontra nas Ilhas Canárias mas não no Arquipélago da Madeira, e um pequeno número de casais de francelhos (Falco tinnunculus canadienses), uma rapina de pequeno porte cuja subespécie é endémica do Arquipélago da Madeira.

Podem ser observadas aqui outras aves que, ocasionalmente ou acidentalmente visitam as Ilhas Selvagens, sobretudo no outono e na primavera. São aves que se perdem das rotas migratórias e que encontram aqui, no meio do Atlântico, o sítio ideal para descansar e recuperar forças, para o prosseguir da viagem.

As espécies de vertebrados observáveis são a osga (Tarentola bischoffi) e a lagartixa (Teira dugesii selvagens), que surgem exclusivamente nas Ilhas Selvagens.

Nestas ilhas, também podemos encontrar um apreciável número de invertebrados endémicos, com um elevado número de insectos endémicos, sobretudo coleópteros e lepidópteros.

Nos gastrópodes terrestres temos atualmente oito espécies dadas para as Ilhas Selvagens, sendo uma endémica da Macaronésia, Ovatella aequalis e uma endémica das Ilhas Selvagens, Theba macandrewiana.

O meio marinho destas ilhas é caraterizado pelas suas águas límpidas, onde habita uma fauna abundante e diversificada.

Nas zonas rochosas são frequentes os gastrópodes, como sejam as litorinas, os caramujos, as cracas e as lapas. Encontram-se, igualmente com frequência, ouriços-do-mar, sendo a espécie dominante o ouriço-de-espinhos-compridos (Diadema antillarum). Junto com estes animais, coabitam várias espécies de esponjas, anémonas e estrelas-do-mar.

No que se refere aos peixes, observam-se, com frequência, a castanheta (Chromis limbata e Abudefduf luridus), taínha (Liza aurata), o boga (Boops boops), o sargo (Diplodus sp.), a garoupa (Serranus atricauda), o bodião (Sparisoma cretense), o peixe-cão (Bodianus scrofa), o peixe-verde (Thalassoma pavo).

Nas águas circundantes destas ilhas é possível observar várias espécies de tartarugas e de cetáceos.
 

 





Flora


O coberto vegetal das Ilhas Selvagens é composto por espécies perfeitamente adaptadas às condições edafoclimáticas. A cobertura florística terrestre compreende mais de uma centena de espécies de plantas vasculares e apresenta a percentagem mais elevada de endemismos por unidade de superfície de toda a Região da Macaronésia.

A vegetação da Selvagem Pequena e do Ilhéu de Fora é composta somente por espécies indígenas e endémicas, sem quaisquer introduções. Estas duas ilhas apresentam uma cobertura e um número surpreendente de espécies exclusivas.

A Selvagem Grande apresenta igualmente um coberto vegetal peculiar e uma interessante flora com endemismos da ilha, outros comuns às restantes Ilhas Selvagens e da Macaronésia, para além de ser o limite da distribuição de determinadas espécies no hemisfério sul ou no norte.

As Ilhas Selvagens possuem onze endemismos exclusivos, entre os quais podemos encontrar cila-da-madeira Autonoe madeirensis, estreleira Argyranthemum thalassophilum, Lobularia canariensis ssp. rosula–venti, Lotus salvagensis, Monanthes lowei e figueira-do-inferno Euphorbia anachoreta.

De modo a preservar este património natural, em 2001 iniciou-se um trabalho de erradicação de plantas invasoras, isto é, plantas que não fazem parte da flora indígena da área e que se alastram com muita facilidade, competindo e destruindo os habitats naturais das espécies indígenas. Exemplos de espécies que estão a ser monitorizadas e controladas são a tabaqueira Nicotiana glauca e mais recentemente, a Conyza bonariensis.

A flora marinha das Ilhas Selvagens apresenta semelhanças à dos arquipélagos vizinhos. A irregularidade dos fundos e a predominância de substratos rochosos, proporciona a colonização por algas fotófilas. Estudos indicam a presença de 173 espécies de macroalgas, com predominância para as algas vermelhas.
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